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O esvaziar das Vocações

Por Pe. Fr. Marcelo Aquino, O. Carm.

 

Muito se fala da escassez de Vocações para novos Padres, mas o que não se explica é o motivo ou os motivos que levam a esta realidade.

A temática da falta de Vocações é a mesma, dizendo sempre que temos poucas vocações e com isso precisamos procurar outras soluções, como se a escolhida por Deus não fosse a melhor forma de perpetuar na terra a Obra Redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto significa dizer que Deus errou ao instituir os Sacerdotes para celebrar o culto divino e distribuir os favores de Deus para a humanidade.

Neste texto analisemos a triste realidade dos tempos hodiernos.

Em primeiro lugar se faz necessário lembrar que o que acontece não é outra coisa senão fruto de algumas posturas e mudanças da Linha Doutrinária da Igreja em que vivemos.

Na verdade as vocações existem e não são poucas, são muitíssimas, o problema é que a atual postura da Igreja rejeita as vocações que Deus suscita, pois os operários que têm aparecido são aquelas vocações decididas a viver como se vivia antigamente: devotados ao Serviço Religioso, buscando uma Postura Cristã que condiz com o estado de vida preferido.

Sim, não é exagero, as vocações existem, mas não encontram espaço, pois a modernização contaminou a Igreja, não permitindo que se tenha Sacerdotes como antigamente, Padres que não eram voltados a festas, que não eram dados aos divertimentos desregrados, mas Padres voltados para o Sagrado, que viviam de saborear a Doutrina Católica dando o verdadeiro exemplo para os fieis. Modernização esta, tão combatida por São Pio X.

Na verdade, o que precisamos fazer, é rezar pela conversão da Igreja.

Portanto, não precisamos pedir Vocações, de que adianta pedir Vocações se não tem quem os receba, de que adianta rezar para termos Santas Vocações se os seminários não têm “espaço” para acolher aqueles que se decidem a viver de batina, a ter zelo pelas almas, a gastar dias e horas nos confessionários –  até porque não se pode falar em confessionários, “eles foram proibidos pelo Concílio Vaticano II”?

Tendo chegado a esta constatação, o que devemos fazer para mudar a realidade em que se encontra a Igreja?

E esta pergunta deve inflamar nossos corações, para que nós católicos possamos refletir sobre o que podemos fazer pela Igreja que está sendo destruída por dentro.

Rezar?

Mas não basta apenas rezar, não que a oração não seja importante, embora alguns atuais formadores digam o contrario, mas precisamos fazer mais que orações, precisamos fazer sacrifícios, precisamos orientar as pessoas que desejam o bem da Igreja, precisamos plantar a semente do futuro dando o Bom Exemplo e buscando instruir nossas crianças.

É bem verdade que Deus não abandonou sua Igreja, mas Ele quer ver nosso empenho em ajudar a Igreja que salvou a vida de bilhões de pessoas ao longo de 2000 anos, é hora de nós auxiliarmos naquilo que nos deu Jesus, Nosso Senhor.

É hora de convocarmos Novas Cruzadas, Cruzadas de orações!

Oração e trabalho, nossa Igreja está agonizando precisando de nós, não podemos deixar que seu sofrimento se agrave, sabemos que ela não morrerá, pois temos a garantia de nosso Divino Mestre: “as portas do inferno jamais prevalecerão contra Ela – Non Prevalebunt”, mas independente disso precisamos demonstrar nosso Amor por Aquela que é a Única Igreja de Cristo!

São muitas as vocações que se perdem por causa do ódio ao Sagrado que contaminou a Igreja. Os novos formadores são totalmente contra tudo o que lembra o Sagrado… quantas não são as vocações que se perdem apenas por desejar que os formadores lhes deem a comunhão na Missa privada do Seminário, como nos manda as instruções da Igreja, que um Clérigo administre a comunhão para todos os formandos, e ai os formadores dizem: “não, aqui cada um se serve no altar”!

Quantas não são as vocações que se perdem porque os formadores não admitem que se use batina, ou seja, eles desejam que os futuros padres continuem sendo as mesmas pessoas que eram antes, não desejam uma transformação, que se configure na Pessoa de Cristo?

São essas as razões pelas quais os seminários modernos estão vazios, e eu não desejo que eles se encham, pois se isto acontecer significa que novos maus sacerdotes serão formados.

O grande problema atual da Igreja não é a ausência de Vocações, mas a ausência de Sacralidade, os Sacerdotes não aceitam cruzes e nem velas no altar, até porque não existe altar, eles mesmos ensinam que aquilo é uma mesa, ou seja, não existe mais o Sagrado, nossas igrejas são construídas de forma que façam as pessoas esquecerem-se de Deus, as pinturas ridículas que são feitas nas paredes do presbitério são um convite ao ateísmo, portanto, tenhamos consciência, a Igreja está agonizando.

A Igreja tem se afastado cada vez mais de sua Missão, deixando o espiritual de lado e gastado suas energias no temporal, o bem estar material está mais protegido pela Igreja do que o bem estar espiritual, parece que perdemos a nossa Transcendência, nos afastamos da nossa pátria celeste, as pessoas acreditam só no aqui e o agora, como se o céu não existisse, triste realidade…

A verdade é que precisamos voltar para Deus – nossas atuais ações têm excluído Deus do centro de nossas atenções e colocado as coisas do mundo em seu lugar – é, em última análise, o mal do protestantismo que contaminou nossas ações. Esse mal tem causado muitas feridas e algumas bem graves a ponto de  alguns dos seus membros tornarem-se ateus, uns saem da Igreja e outros tentam implantar o ateísmo dentro da Igreja. No final das contas, se tem lugar para tudo na Igreja atual, menos para Deus.

Portanto, rezemos muito para que Deus mande Grandes Vocações capazes de enfrentar a situação atual da Igreja e tenham grande devoção a Nossa Senhora que em Fátima que nos prometeu: “Por fim Meu Imaculado Coração Triunfará”.

Rezemos também por nossos pastores para que eles aprendam que o que Nosso Senhor instituiu é eterno, não deve ser mudado e nem precisa ser atualizado, pois, Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre. (Hb 13, 8)

 

2 Comentários

  1. Janaina Lucia disse:

    Belíssimo texto! O penúltimo parágrafo é o que tenho refletido constantemente, já me causou muita tristeza , agora me sinto em paz e segura, no dever de instruir minha família!!!
    Assim como em qualquer estado de vida, em meio ao caos, temos que ter disciplina e renúncias, senão desmorona!!! Sangra , dói .. mas é o que escolhemos!!
    Não da para duvidar de um “coração sacerdotal” , sua entrega e seu chamado!!
    Sim, pela graça de Deus, temos sacerdotes. ” santos” que nos constragem e inspiram em ser verdadeiramente de Deus .

  2. Janaina Lucia disse:

    Belíssimo texto! O penúltimo parágrafo é o que tenho refletido constantemente, já me causou muita tristeza , agora me sinto em paz e segura, no dever de instruir minha família!!!
    Assim como em qualquer estado de vida, em meio ao caos, temos que ter disciplina e renúncias, senão desmorona!!! Sangra , dói .. mas é o que escolhemos!!
    Não da para duvidar de um “coração sacerdotal” , sua entrega e seu chamado!!
    Sim, pela graça de Deus, temos sacerdotes. ” santos” que nos constragem pelo seu bom exemplo e inspiram em ser verdadeiramente de Deus .

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